sábado, 22 de novembro de 2008

Está na hora de mudar!



Existem difersos factores na nossa vida que influenciam o nosso estado emocional. À medida que o tempo passa muita coisa vai mudando, umas mais depressa, outras mais devagar, mas tudo tem o seu ritmo. O que é certo é que essas mudanças influenciam o nosso dia a dia, seja de que forma for. Nos ultimos anos muita coisa mudou na minha vida, e digamos que foi numa altura em que me encontrava "desarmado", talvez devido à pouca experiência que tenho quando comparada com os mais sábios, aqueles que andam por este mundo ha bastante mais tempo que eu e que ja tiveram os seus trambolhões para aprenderem as suas lições. O que é certo é que das vezes que tenho caído tenho aprendido e está na altura de dizer CHEGA! Agora ha-que aproveitar aquilo que ja sei para evitar novos trambolhões!!
Tento reorganizar-me interiormente, tento encaixar todas as partes que me constituem da forma que mais sentido fazem para mim. Tento ser mais racional, menos sentimental porque tenho noção que esse é o meu ponto fraco, é onde mais dói quando me atingem. No entanto, apesar de tudo, sinto que nunca conseguirei ser como deveria e ainda bem, pois dessa forma passaria a ter um coração de pedra.
Talvez ainda tenha a minha parte sentimental dorida mas sinceramente não quero sequer voltar a pensar nisso, apenas deixar fluir. Tenho medo de não voltar a poder ser tão especial para alguém por me fechar em mim para evitar ser atingido de novo. Mas mais uma vez penso que está na altura de mudar. É verdade que o passado infuencia o futuro, mas não posso basear-me apenas nisso, ha-que virar uma nova pagina, escrever um novo capitulo, levar a historia da minha vida a ter um percurso mais feliz. Chega de enfrentar os mesmos problemas que insistem em permanecer. Eu sei que tenho o poder para fazer desaparecer da minha vida tudo aquilo que não quero e aos poucos vou conseguir.
Foi por tudo isso que decidi apoveitar o novo ano académico para fazer um reset "quase" total à minha pessoa. A começar por disciplinas que deixei por fazer o ano passado e que poderia ter feito, apesar de ter noção que continuava sem perceber nada daquilo. Pois para mim chega de fazer de conta, ou se sabe e se fazem as coisas direito ou entao não vale apena. Aproveitei então as férias de verão para começar a estruturar uma nova forma de encarar a vida. Comecei a tentar ganhar mais habitos de estudo, sim porque a faculdade não é como no liceu onde posso dizer que passei praticamente sem estudar (hoje sei que foi um erro). Comecei a ganhar mais interesse em saber como funcionam as coisas, tentei desenvolver o raciocinio logico e melhor de tudo, tentei virar os meus sentimentos nao para alguém mas para algo que nunca irei deixar de gostar: a musica. Comecei a praticar guitarra, a ouvir mais musica, comecei tambem a dar uns toques em piano e as minhas ambiçoes não param de crescer. Pelo menos quando toco é como estivesse a desabafar comigo mesmo. Só com a musica consigo desenvolver a minha concentração, coordenação, consigo exprimir os meus sentimentos e o meu estado de espirito sem que com isso me magoe de novo. Nao quer dizer com isto que nao volte a amar alguem. Tudo no seu devido tempo. Acho que ja dei oportunidades demais a um amor que talvez não faz mais sentido e está na altura de continuar em frente. Tenho tambem cada vez mais objectivos na minha vida, alguns meios estupidos, outros nem por isso. Mas ao menos vou tendo algo com que me preocupar.
Depois de tudo isto que fui dizendo o mais certo é perguntarem se vale a pena fazer um "reset". Eu diria que sim. Pelo menos sinto-me aos poucos mais capaz de enfrentar novos desafios com outra cara. Talvez esteja um pouco diferente daquilo que era, mas penso que desta é para melhor, afinal de contas todos mudamos com o tempo. Mas continuo a ser eu.
Tenho conhecido novas pessoas, umas mais interessantes, outras mais oportunistas, outras que parecem ser porreiras mas que apenas o aparentam. Tenho feito muitos amigos também, mas tenho acima de tudo sentido saudade daqueles que já estavam cá dentro, aqueles amigos verdadeiros que não nos vêm apenas dizer o que gostariamos de ouvir mas que vêm com as verdades nuas e cruas. "Amigos" que apenas se aproximam para nos ferir porque têm inveja ou porque nao conseguiram aproveitar de nos aquilo que queriam tambem não faltam por aí. Mas eu sei quem são aqueles com que posso contar. Alguns apesar de estarem longe tambem estão cá dentro! E espero que ainda mais possam entrar.
Bem, este desabafo começa a ficar extenso, portanto so para terminar digo que agora as coisas começam a correr melhor. Será que o Karma sempre existe e estarei a ser recompensado (posso estar a ser egoista ao dizer isto mas nao me considero uma pessoa má). ou será que todas as mudanças positivas são fruto do meu esforço? Nao sei, ninguem sabe, mas gostava de poder acreditar que tudo ainda vai melhorar. Até lá continuarei à espera que talvez alguem me compreenda e não me julgue. E que aprenda a gostar de mim por aquilo que sou, pois todos nos temos os nossos defeitos. E eu posso nao ser perfeito mas pelo menos tento corrigir o que penso estar mal em mim. Se todos o fizerem um dia viveremos num mundo melhor xD
Despeço-me entao para ja, com um grande obrigado para todos os que me têm ajudado ao longo da minha vida e me têm ajudado a crescer. Eles sabem que são. E agradeço tambem aqueles que mesmo depois de terem lido tamanha baboseira ainda estão dispostos a aturar-me^^

5 comentários:

Anónimo disse...

ou, sem qualquer dúvida, disposta para continuar a "aturar-te" =D*

Anónimo disse...

oh filho, nós "aturamos" te bem! se todos os Doutores/pessoas fossem como tu =P

ai ai*

Anónimo disse...

Eu acho q tu descobriste q, qd tudo parece tar mal, ha sempre qq coisa a q nos podemos agarrar pa algo começar a correr bem... E tas a colher os frutos! Eu ainda hei-de ter uma nota maior q as tuas (so nao sei daqui a qtos anos isso vai acontecer =P )

Anónimo disse...

... e q nunca faltem as batatas fritas do área café! =D

Anónimo disse...

De que é feito o amor? De vontade, de tempo, de perfeição. De espera, de respeito, de paciência. De doçura, de proximidade, de generosidade. De sonho, de paixão e de alguma tristeza. Há pessoas que ficam muito tristes quando percebem que se vão apaixonar. E outras que ficam ainda mais quando se apercebem que não conseguem atingir esse estado exaltado e sublime que faz parar os ponteiros do relógio, satura as cores e traz uma luz perfeita à existência.

Eu pensava que sabia o que era o amor. O amor puro, incondicional, intemporal e inabalável que resiste a tudo, ao frio, à solidão, ao vento e à chuva, ao tempo e ao modo, à ausência e à distância. Cada dia que vivi nesse estado de graça era um dia cheio, podia ser o derradeiro, porque nada contava além desse sentimento abrasador, invasor, arrebatador que me tomava os membros e a alma, a cabeça, os olhos e o peito, as horas, minutos e segundos, que tomava conta da minha vida e de mim.

Não me interessava se o meu objecto amoroso, um rapaz afinal igual a tantos outros com olhos de criança e andar elástico, me amava ou me queria, tal era a dimensão do que por ele sentia. E, sem nunca desistir, habituei-me à ideia de que o amor era amá-lo, mesmo na ausência, na tristeza, no vazio das minhas mãos que se davam uma à outra sem que uma terceira as agarrasse para me dizer:- Estás enganada, é preciso outra pessoa para construir o amor.

Quando nos habituamos a dar, receber torna-se um exercício difícil, quase assustador. Quando vivemos numa elevação permanente, baixar à terra parece-nos torpe e pouco digno. Quando somos náufragos dentro de nós mesmos, todas as praias são miragens e esquecemo-nos de procurar um porto de abrigo. E habituamo-nos a uma tristeza permanente que nos faz ver o mundo desfocado e que nos protege da luz que já fomos.

É muito difícil voltar a amar. Amar sem tempo, sem exigências, sem medo. Amar por amar, querer sem pensar, sonhar sem recear, deixar o barco partir outra vez. O barco balança mas a âncora não sobe, as velas enrolam-se de recato e cansaço, o vento não sopra e muito pouco muda.
Mas porque é impossível sobreviver no deserto ou navegar para sempre, há instantes de amor, momentos perfeitos em que sentimos outra vez o sangue a ferver, os olhos mudam de cor e as mãos voltam, por breves segundos, a entrelaçar-se, quando alguém nos diz ao ouvido:- Estás enganada, pode ser isto o amor.

E pode, e deve e nós até queremos que seja, mas o coração não obedece a nada senão à sua própria vontade e o amor continua a ser um mistério que não sabemos como começa nem quando acaba. "I guess i’m luckier than some folks/I knew the thrill of loving you", canta o Chet Baker enquanto escrevo estas linhas para nelas guardar instantes perfeitos que desejaria transformar numa vida inteira. Mas a vida é isto: acho que tenho mais sorte que os outros, pois já amei alguém. Agora, aprendi a amar a vida, a cor da lua quando enche, o tempo que passamos juntos, tu e eu, num sossego só nosso, feito de pequenos instantes perfeitos que se vão dissolvendo na espuma dos dias.
[Margarida Rebelo Pinto]